sábado, 21 de junho de 2008

E repete-se a história, agora no 9º ano

A Associação dos Professores de Matemática (APM) considerou o exame de Matemática do 9º ano como fácil e explicou que algumas das questões podiam ser resolvidas por alunos do 2º Ciclo, isto é, por estudantes entre os dez e os 12 anos.

Também a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considerou o exame nacional desta disciplina "demasiado elementar" e deu exemplos: "Quando se pergunta qual o mínimo múltiplo comum entre 12 e 24 está-se a atingir um grau de dificuldade tão baixo que apenas se está a avaliar se o aluno compreende ou não o conceito de múltiplo comum."

"A prova tem muitas perguntas quase evidentes, ou seja, não tem questões problemáticas", disse ao CM Sónia Figueirinhas, vice-presidente da APM.


Como qualquer pessoa imaginará, a fasquia colocada na avaliação influencia em muito o processo de aprendizagem. Quase todas as pessoas estudam em função daquilo que esperam nos exames, e os professores seguem a mesma bitola. O sinal que o ministério está a dar às escolas é irresponsável. Os níveis de exigência baixam todos os anos... Isto revolta-me...

Esta ministra da educação é uma verdadeira traidora à pátria...

5 comentários:

andré disse...

Eu sei que isto não vem ao caso mas gostava de te "ouvir" sobre estes dois posts (se tiveres pachorra).
http://oinsurgente.org/2008/06/15/orgulho-gay-e-o-fim-de-uma-mitologia/
http://oinsurgente.org/2008/06/19/shooting-the-messenger/
Pergunto-te porque sempre te achei extraordinariamente eloquente no geral, mas sobretudo no que a este tipo de assunto diz respeito (lembro-me do que escreveste sobre o orgulho hetero, por exemplo).
Eu sinto-me uma pessoa de direita, de modo que ver gente da suposta direita intelectual dizer coisas destas aborrece-me sobremaneira. Enfim...

andré disse...

Eu acho que é preciso ter alguma moderação nas críticas que se fazem ao ensino básico e secundário.
Eu estou agora a acabar o meu curso e acho, sinceramente, que tive uma boa instrução quer ao nível do básico quer ao nível do secundário. E também acho que nestes últimos anos o ensino não mudou assim tanto (tenho duas irmãs mais novas e vou acompanhando os estudos delas como posso). É facto, os mais velhos gostam sempre de dizer que isto caminha tudo para o facilitismo e que no tempo deles é que era a doer, talvez... Os alunos aplicados hão-de ser sempre aplicados e vão estar sempre bem preparados. Os maus alunos, já sabemos...
Preocupa-me mais o ensino superior de que se ouve falar muito menos e que na minha opinião está num estado muito mais lastimoso. Mas isto era toda uma outra conversa.

/me disse...

André, eu acho que há boas escolas e bons professores, mas acho que os há "apesar de tudo". E este tudo são as políticas dos ministérios da educação. Infelizmente, não só o português mas também outros a nível europeu.

Claro que é só uma opinião que tem o valor que tenho, sei que posso não estar correcto. :)

Talvez seja verdade que os mais velhos gostam de dizer que caminha tudo para o facilitismo e assim. Eu não sou tão velho assim (27 anos), apesar de ter tido uma escola bastante à moda antiga (com as suas virtudes e defeitos) que talvez me faça ter uma mentalidade mais antiquada.

Não digo que tudo no ensino esteja mal, de modo algum. Mas digo que a política do ministério da educação é desastrosa e com consequências gravíssimas. Aliás, não é só a política do ministério da educação. Esta mania de se medir a qualidade seja do que for com parâmetros "ajustáveis" aos resultados que se pretende obter são terríveis. Concordo contigo que as universidades também andam mal. E a nível de investigação, é pelas mesmas razões (a nível de ensino, é uma miséria também, acho eu...). A qualidade é medida pelo número de papers (mas pode-se fazer 10 papers que não valham 1!), pelo número de citações (os amigos citam-se uns aos outros, as revistas têm truques para serem mais citadas, etc) e coisas assim... A conversa do rigor e da qualidade e da excelência e da avaliação objectiva tem feito muitos estragos, diria eu.

O ensino básico e secundário são das coisas mais fulcrais que se podem ter. Ao baixar os níveis de exigência nos exames para se ter níveis de aprovação superior, temo que se baixe também a qualidade da aprendizagem. Parece-me mais que natural... Claro que haverá sempre escolas em que os professores, os pais e os alunos exigem mais. Mas nada substitui, para a generalidade dos casos, a força de um exame.

/me disse...

Bem, fico lisonjeado que me queiras ler sobre um qualquer assunto, embora me pareça que te vou desiludir neste caso.

É que os artigos do insurgente, já os tinha visto. Não os comentei porque os acho pura propaganda. Parece-me que querem instrumentalizar a SIDA. Não lhes dou importância, acho que são escritos por pessoas que têm os olhos fechados.

Sinceramente, tanto me faz que se fale em grupos de risco ou comportamentos de risco. Se quiserem definir grupos que têm em média mais comportamentos de risco como grupos de risco, tanto me faz. É uma definição, cada um faz as que quer.

Eu não fui ler os estudos e artigos que as pessoas do insurgente tomavam por base. Tanto me faz, sinceramente... Se a SIDA tiver maior prevalência entre homossexuais (não me custa a crer), não é mentira também que há mais heterossexuais que homossexuais com SIDA. Se querem isolar uma parte da população para a estigmatizar com a doença, ou reduzir o combate desta a uma batalha do lobby gay, este argumento acho que basta. Podem-me vir com percentagens, mas a verdade é que há muitas pessoas de todas as orientações sexuais que morrem de SIDA. Agora se disserem que se deve apostar mais em comunidades específicas em que a SIDA acaba por ser mais prevalente, até acho bem. Afinal, há doenças que podem afectar mais uma "raça" (entendida como conjunto de pessoas que têm conjuntos de genes parecidos) que outra. A "raça" portuguesa levou doenças para o Brasil que mataram imensas pessoas da "raça" dos índios. Não me escandaliza que se fale sobre essas coisas.

Se os insurgentes apenas quisessem discutir onde e como gastar os fundos do combate à SIDA, acharia o que eles dizem digno de se dar alguma atenção. Mas há má fé no que eles dizem. E está implícita a ideia de que os homossexuais merecem ser descriminados: "Durante todos estes anos fomos massacrados com propaganda enganosa a tentar nos convencer [...] sobretudo, que os homossexuais não deviam ser discriminados por motivo algum".

Tudo isto que dizem no insurgente serve para dizer "ah e tal, afinal os homossexuais podem ser descriminados porque têm casos de SIDA e portanto o "homossexualismo" é mau para a economia e para a sociedade e tal". O argumento parece-me tonto, por imensas razões. Mas nem preciso de atacar as razões, naturalmente o argumento apenas surge porque há à partida o preconceito contra os homossexuais.

André, eu também tenho uma certa simpatia pela direita, mas não me parece que o insurgente seja da direita intelectual. Talvez seja eu que não conheço bem o blog, mas parecem-me ser muito de ter uma k7 e uma cartilha do que eles julgam ser de direita. Infelizmente, um problema que a esquerda também tem muitas vezes. Quando todos os debates e comentários trazem ideologia atrás a racionalidade vai ao galheiro.

Como pessoa supostamente de direita, gosto muito mais do Pedro Mexia, por exemplo.

Mr Fights disse...

Sempre defendi esta ministra porque acho que apesar de ser demasiado casmurra (é uma característica necessária para ser ministro neste governo) tomou medidas corajosas.

Mas neste momento rendo-me às evidências...