segunda-feira, 10 de março de 2008

Cito

5 comentários:

andré disse...

Os professores são excessivamente bem pagos. Isso é evidente. É aliás, uma falta de respeito para com quem paga impostos e trabalha fora do estado. Este argumento não tem nada que ver com inveja, é uma simples constatação. Obviamente que aqui há todo um argumento a desenvolver que não cabe num comentário, nem eu quereria tão pouco maçar-te com algo do género. Mas não posso deixar de sublinhar que muitos dos professores (especialmente dos novos) que se andam por aí a queixar das intenções reformadoras da ministra, se formaram em universidades (quando não politécnicos) da farinha amparo e muitas vezes com notas medíocres. Essa gente vai ensinar o quê?

/me disse...

Andé, compreendo que possas dizer que os professores são excessivamente bem pagos, quando comparados com outras profissões. Embora se tenha de notar que eles também pagam impostos e regra geral, não lhes é possível receber extras por biscates, prémios de produtividade, etc. O que recebem é o que recebem, sem mais. E não acho que seja tanto assim. Até recebem muito pouco. Os restantes trabalhadores é que são escandalosamente mal pagos (obviamente isto não é um contra-argumento; é uma questão de perspectiva). Mas podemos concordar numa coisa: o sistema de ensino não funciona mal porque os professores recebem de menos.

Quanto a haver professores formados em universidades ou politécnicos da farinha amparo, muitas vezes com notas medíocres (e por favor e com cábulas, etc). Totalmente de acordo, há muitos desses. (o que não é de surpreender, num país em que o primeiro ministro diz que o seu percurso escolar, bem conhecido, foi de excelência) E há também os que até sabem de conteúdos científicos mas não sabem nada de pedagogia ou simplesmente não têm jeitinho nenhum para ensinar. Também há aqueles que se deixaram ultrapassar pelos tempos, com ou sem culpas próprias, que não se conseguiram adaptar às mudanças constantes da sociedade.

Se nos conseguirmos livrar desses professores, óptimo. Primeiramente, não permitindo que entrem mais assim no ensino (os que já lá estão vai ser muito difícil de tirar...). Pessoalmente, sou a favor de um exame de admissão ao ensino. Aliás, agora com o sistema de bacharelato+mestrado, não sei como estão as coisas... Para mim, o natural seria que os bacharelatos fossem apenas científicos (sem cadeiras pedagógicas) e que quem quisesse ser professor tivesse depois de obter o bacharelato de fazer um exame... Se aprovado, poderia aceder a um curso para professores, com a componente pedagógica. Senão, podia seguir caminho para qualquer outra coisa, sem ter desperdiçado energias num curso "para ensino". Julgo que na Itália se faz algo semelhante. Em Portugal não sei como estão as modas.

Para mim, o ponto fulcral de tudo é conseguir-se criar um ambiente onde seja natural que os professores queiram e possam ensinar bem. Mas para isso, é preciso partir do pressuposto de que os professores são capazes, e não do pressuposto actual de que são uns malandros.

Mr Fights disse...

Caro /me, não li o artigo que citas mas deixa-me fazer um reparo ao teu comentário:

Os professores enquanto funcionários por conta de outrem pagam efectivamente os mesmos impostos mas a verdade é que ao longo do tempo uma larga maioria dos docentes (nomeadamente nalgumas disciplinas) ganhou com a fraca qualidade do ensino ocupando grande parte de tempo em que não estava nas escolas a dar explicações muito bem pagas que raramente eram declaradas para efeitos de impostos.

Quanto ao não terem prémios de produtividade... é claro que não têm nem podem ter porque ainda não são avaliados pelo desempenho para se poder aferir quem merece efectivamente esses prémios.

Não defendo que este processo tenha sido bem conduzido(longe disso) mas quando se mexe em interesses instalados há muitos anos, quando se exige que os professores passem mais tempo nas escolas só se pode esperar contestação especialmente num país onde os sindicatos têm uma componente ideológica muito próxima de alguns partidos que não estão no governo.

Quanto à ministra conseguir... a ver vamos. Eu espero que se consiga alguma coisa de positivo.

rato do campo disse...

Se houve texto jornalístico que mostrou bom senso na análise desta questão, foi precisamente o de Mário Crespo.

andré disse...

Obrigado pela resposta tão cuidada que me deixaste. Concordo com tudo, o que é aliás a regra.
Mais posts para quando?